Tensão geopolítica, IPCA alto e balanços: o que faz Ibovespa cair mais de 2% nesta 5ª

A escalada das tensões geopolíticas joga o Ibovespa para baixo no início do pregão desta quinta-feira, 12, acompanhando a desvalorização das bolsas internacionais. O petróleo volta a subir de forma expressiva, mesmo após a liberação recorde de reservas emergenciais da commodity pela Agência Internacional de Energia.

Às 11h55 (horário de Brasília), o Ibovespa caía 2,59%, a 179.308 pontos. Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,28%, aos 183.969,35 pontos.

Investidores da bolsa paulista também repercutiam uma bateria de resultados corporativos, incluindo os números de Yduqs (YDUQ3), Cogna (COGN3), Vibra (VBBR3), Brava (BRAV3) e Azzas 2154 (AZZA3), entre outros.


Paralelamente, a alta de 0,70% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, perto do teto das projeções (0,72%), após 0,33% em janeiro, eleva a cautela nos mercados, em meio a expectativas de pressões futuras na inflação devido ao conflito no Oriente Médio.

“Enquanto não houve uma definição sobre os conflitos, os mercados devem operar reagindo a notícias mínimas, ficam nesse vai-não-vai. Para além das incertezas com a guerra, tem o IPCA acima do esperado mediana em 0,63%, o que deve limitar o campo de atuação do Banco Central”, avalia Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Fica a expectativa pelo anúncio, pelo governo, hoje, de medidas para reduzir o impacto da oscilação do preço internacional do petróleo sobre o diesel no Brasil. “O Ibovespa pode até aprofundar perdas a depender do que vier, se vier alguma isenção de imposto”, diz Spiess, no sentido de que poderia pressionar as contas públicas.

Durante a madrugada, o petróleo Brent alcançou US$ 101,59 o barril, após o Irã intensificar ataques contra infraestruturas petrolíferas e energéticas dos países do Golfo Pérsico em meio à guerra que trava com os Estados Unidos e Israel.

A commodity sobe ainda em reação à decisão da Agência Internacional de Energia (AIE), de cortar significativamente suas previsões de alta para a demanda e oferta do petróleo este ano, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Às 9h23, o barril do petróleo Brent subia cerca de 7,0%, a US$ 98,35.

Apesar da aceleração do IPCA em fevereiro ante janeiro, quando subiu 0,33%, no acumulado em 12 meses arrefeceu a 3,81% até fevereiro, ante 4,44% até janeiro. Ainda assim, gera incertezas em agentes e investidores, dado que não captou eventuais efeitos da guerra no Oriente Médio.

O IPCA está dentro do previsto, com ponto de atenção ao petróleo que segue tendo pressões de alta, e que pode afetar futuramente a inflação. Po isso a cautela do Banco Central em baixar a Selic”, afirma Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos.

Desta forma, eleva incertezas sobre o tamanho do corte esperado na Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem. Na curva futura, a expectativa é de redução de 0,25 ponto porcentual, com a taxa indo a 14,75% ao ano.

Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, reforça que o IPCA de fevereiro não está refletindo o choque de petróleo. “Certamente isso será acompanhado nos próximos dias e nas próximas prévias e resultados, o que pode alterar a visão de médio e longo prazo da inflação, apesar da leitura positiva do IPCA em 12 meses”, analisa.

Em Nova York, o recuo era menos intenso, de até -1,36% (Nasdaq). “Aqui subiu muito. Começa a acender a luz amarela. Nem a alta do petróleo anima as ações da Petrobras”, diz Luiz Roberto Monteiro operador da mesa institucional da Warren Rena DTVN.
As ações da estatal reduziam o ritmo de valorização de mais de 1% para 0,71% (PN) e 0,82% (ON), com o petróleo subindo mais de 9%. Além das altas nas ações da estatal, outras cinco subiam, de um total de 85 da carteira teórica.

Ainda em destaque, o governo anunciou nesta quinta-feira medida para zerar a cobrança de PIS/Cofins que incide sobre importação e comercialização do óleo diesel para amortecer o impacto da alta de preços do petróleo em meio à volatilidade gerada pelo conflito militar no Irã.

Em anúncio no Palácio do Planalto, Lula ainda assinou medida provisória com subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores, condicionada a comprovação de repasse ao consumidor, e disse que as iniciativas também incluirão uma cobrança de imposto sobre a exportação de petróleo.

Segundo o presidente, o preço do petróleo está fugindo ao controle no mundo, diante da “irresponsabilidade das guerras”, o que eleva preços de combustíveis.

Estamos dizendo em alto e bom som que estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma engenharia econômica para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo brasileiro”, afirmou. Segundo o Palácio do Planalto, o corte de PIS/Cofins representa uma redução de R$0,32 por litro do diesel nas refinarias, enquanto a subvenção representará outros R$0,32 por litro.

Apesar do minério de ferro, que fechou com valorização de 1,34%, Vale caía 2,39%, contaminando todo o setor metálico.

Fonte: infomoney