BRB tem aval do Tesouro para vender carteiras de crédito de R$ 970 milhões
O Tesouro Nacional autorizou o Banco de Brasília (BRB) a vender carteiras de crédito que continham empréstimos com aval da União. Desde a primeira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e determinou a liquidação extrajudicial da instituição, o BRB enfrenta uma crise institucional. Com a venda das carteiras, que somam R$ 970 milhões, o objetivo seria aumentar a liquidez do banco do Distrito Federal.
A venda de carteiras é uma das ações que o BRB busca levar à frente para recuperar o prejuízo com a compra de ativos do Master. De acordo com o depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, à Polícia Federal, no final de 2025, o banco estatal perdeu cerca de R$ 5 bilhões com esses papéis. A instituição também estuda uma linha de financiamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de um empréstimo concedido por um consórcio de bancos e a criação de um fundo imobiliário com ativos do governo local como garantia.
Com as cartas na mesa, o BRB tem até o dia 31 de março para apresentar o balanço do ano passado, que também representa a data limite para o banco definir o valor exato a ser reservado. Outra opção considerada pelo banco seria a concessão de uma garantia da União a um eventual empréstimo a ser captado pelo governo do DF para capitalizar a instituição.
Essa alternativa, no entanto, já está fora da mesa de negociação, devido, principalmente, ao fato de o Distrito Federal não ter nota de crédito suficiente no Tesouro Nacional para permitir esse tipo de operação.
O plano de recapitalização da empresa foi entregue pelo presidente Nelson Antônio de Souza ao Banco Central na semana passada. A instituição preferiu não publicar valores e ressaltou, em nota, que estes só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento.
Após a entrega, o BRB tem 180 dias para implementar as ações preventivas de recomposição de capital entregues ao diretor de Regulação, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, e ao secretário-executivo do Banco Central, Rogério Antônio Lucca.
Em conversa com o Correio após a reunião com os diretores do BC no último dia 6, o presidente do banco disse que foi apresentado o plano de atividades da instituição, além do plano de capital e o que foram denominadas como "propostas firmes" de três bancos nacionais e um internacional, com interesse nos ativos que o BRB pretende realizar. É necessário lembrar, no entanto, que as medidas apresentadas ainda necessitam de aprovação dos deputados distritais.
No último dia 10, os líderes da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) decidiram que o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, será convidado para participar de reunião no próximo dia 24 de fevereiro com a presença de todos os deputados. O objetivo seria discutir a ação de medidas positivas para o banco estatal. Na mesma casa, uma Comissão de Investigação sobre o caso BRB-Master pode ser instaurada, após pedido da deputada Paula Belmonte (PSDB). A definição, no entanto, deve vir apenas após a reunião de líderes.
Fonte: correiobraziliense