Custo Brasil | A tão esperada reforma tributária
Com a eleição do novo governo, renasce a esperança junto ao setor empresarial de que o governo que assume o comando do país possa levar adiante a tão esperada reforma tributária e enfrentar um dos principais problemas do famigerado Custo Brasil.
A mudança do atual sistema – rumo à desburocratização, com redução da carga tributária e da cumulatividade de tributos – aliviaria os custos da produção industrial, do desenvolvimento dos serviços e da comercialização, beneficiando toda a economia, com vantagem para o consumidor final.
Mais transparência na gestão e menos pressão do fisco tornariam as pequenas e médias empresas mais competitivas, com expansão de sua capacidade de agir tanto no mercado interno como externo, o que resultaria em mais emprego e renda.
Com a reforma tributária, favorável à livre iniciativa, somada aos investimentos em infraestrutura e logística, a força motriz da economia nacional entraria em uma espiral ascendente, alavancando o Brasil para um novo patamar entre os países emergentes.
A teoria, portanto, é bem mais fácil do que a prática. Um dos entraves para que se inicie a mudança almejada está no próprio governo. Inchada pelo excesso de servidores e gastadora contumaz, a máquina administrativa é quem alimenta o ciclo vicioso e bloqueia a reforma.
No governo que se encerra, as contratações descabidas e os gastos improdutivos ultrapassaram o limite do aceitável, o que certamente vai comprometer a ação da próxima presidente.
Para se ter uma ideia, dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostram que entre 2002 e 2009 o contingente de funcionários públicos federais cresceu em termos líquidos (ingressos menos afastamentos) em mais de 67 mil pessoas e a média salarial de um servidor do Executivo federal, que equivalia a 3,6 vezes a de um trabalhador do setor privado, passou para 6 vezes.
Para dar conta da folha de pagamentos, a máquina exige mais recursos e, consequentemente, mais impostos. Se essa filosofia de gerir o dinheiro público for seguida à risca pela sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva, prevalecerá a máxima condenada e, ao mesmo tempo, popularizada pelo ex-ministro Roberto Campos, de que “imposto bom é imposto velho”.
Segundo o economista, sempre que os governos brasileiros tomam a decisão de mexer no regime tributário é para ampliar ainda mais a carga e não reduzi-la. Porque ele precisa de mais dinheiro para manter a estrutura, historicamente deficitária. Por isso, as reformas ocorridas sempre deixaram o empresário com saudade do sistema tributário anterior.
Não dá mais para adiar
Sem dúvida, nos últimos anos a economia brasileira avançou muito e tem ficado evidente a necessidade de ajustes na ordem tributária, principalmente para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 30% do PIB brasileiro e de 90% dos empregos com carteira assinada no Brasil.
Há consenso entre especialistas de que a redução da carga tributária ampliará também a participação dessas empresas na composição do PIB, pelo seu dinamismo e obstinação de seus dirigentes. A criação do Simples Nacional foi um passo a desburocratização, mas ainda mantém-se complexo e com elevada tributação. O que era para ser simples, não é tão simples assim. Sem contar que o sistema já carece de ajustes em seus limites de receita para determinar os percentuais de tributação.
A reforma tributária ajudaria também a colocar um fim na guerra fiscal entre os estados, que apresentam vantagens às grandes empresas, com redução do ICMS, somente para atraí-las, comprometendo a receita dos municípios, que perdem arrecadação com a fuga de investimentos.
Esses são apenas alguns elementos para entender o campo improdutivo que terá de ser enfrentado pela presidente, com o risco de o país continuar se achando mais do que realmente é. Nessa luta, compete aos empreendedores fortalecer as entidades de classe, que já desenvolvem trabalho de pressão junto ao Congresso Nacional para que a reforma tributária seja colocada na pauta logo no primeiro ano de governo.
Fique sempre em dia!
- Obrigações do dia: Previdência Social (INSS) | GPS - Envio ao sindicato.
- Obrigações do dia: Comprovante de Juros sobre o Capital Próprio-Pessoa Jurídica.
- Obrigações do dia: IPI | Imposto sobre Produtos Industrializados.
Últimas Notícias
-
12 - Junho - 2026
Aplicativos da Meta apresentam instabilidade nesta sexta-feira
Usuários relataram instabilidade nos aplicativos da Meta, WhatsApp, Instagram e Facebook, na manhã desta sexta [...]
-
12 - Junho - 2026
Dólar cai e Bolsa sobe com inflação e Oriente Médio em foco
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar está em queda nesta sexta-feira (12), com investidores digerindo os novos dados de inflaçã [...]
-
12 - Junho - 2026
Percentual de famílias paulistanas endividadas atinge maior nível em quase quatro anos
Quase oito em cada dez famílias paulistanas (74,2%) estavam endividadas em maio – o maior nível em quatro anos, mostra a <stron [...]
-
12 - Junho - 2026
Inflação de maio fica em 0,58%, influenciada por preço dos alimentos
O preço dos alimentos pressionou o bolso dos brasileiros em maio e representou metade da <a href="https://agenciabrasil [...]
-
11 - Junho - 2026
População 60 já é um quarto da mão de obra
A participação dos brasileiros com 60 anos ou mais no mercado de trabalho atingiu o maior patamar da década. Levantamento inédi [...]
-
11 - Junho - 2026
Setor de serviços cresce 1,2% em abril e se aproxima de recorde histórico
O setor de serviços brasileiro voltou a crescer em abril e se aproximou do maior patamar já registrado na série históri [...]
-
11 - Junho - 2026
Jovem aprendiz bate recorde de contratações e ultrapassa 726 mil vínculos ativos no Brasil
O mercado de trabalho brasileiro registrou, no primeiro quadrimestre de 2026, o melhor desempenho da série histórica do Novo Ca [...]
-
11 - Junho - 2026
YouTube teve impacto bilionário no PIB do Brasil em 2025, aponta Google
São Paulo* — Dados divulgados pelo Google nesta quarta-feira (10/6) mostram a magnitude do impacto de uma das principais p [...]
-
10 - Junho - 2026
Poupança tem entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio
O saldo da aplicação na caderneta de poupança subiu em maio deste ano, com registro de mais depósitos do que saques. As entrada [...]
-
10 - Junho - 2026
Brasileiros sacaram em abril R$ 482,8 milhões esquecidos em bancos
Os brasileiros sacaram, em abril deste ano, R$ 482,8 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro, de acordo com [...]